A amamentação é um momento de conexão profunda entre mãe e bebê, mas também pode trazer desafios — principalmente nas primeiras semanas.
Entre as queixas mais comuns das mães está a fissura mamilar, caracterizada por rachaduras, dor, ardência e, em alguns casos, até sangramento.
Apesar de frequente, a fissura não deve ser considerada normal. Ela é um sinal de que algo precisa ser ajustado, e quanto mais cedo for identificada, mais rápida e confortável será a recuperação.
O que são fissuras mamilares?
As fissuras são lesões na pele do mamilo causadas, na maioria das vezes, por atrito repetido durante a sucção do bebê.
Elas podem variar de pequenas rachaduras superficiais até feridas mais dolorosas, que dificultam a continuidade da amamentação.
Além do desconforto físico, a dor pode gerar insegurança, ansiedade e até levar ao desmame precoce — por isso, o cuidado adequado é essencial.
Por que as fissuras acontecem?
A principal causa não é a sensibilidade da pele da mãe, mas sim a pega incorreta do bebê.
Quando o bebê suga apenas o mamilo, ocorre pressão excessiva em uma área pequena, provocando trauma na pele.
Já na pega correta, o bebê abocanha boa parte da aréola, distribuindo a força da sucção de forma adequada.
Outros fatores que contribuem:
- Posição inadequada durante a mamada
- Retirar o bebê do seio sem interromper o vácuo
- Uso de sabonetes, álcool ou produtos que ressecam a pele
- Umidade constante causada por vazamento de leite
- Uso incorreto de bombas tira-leite
- Mamilos planos ou invertidos (quando não manejados corretamente)
✔ Observe a pega correta:
- Boca bem aberta
- Lábios virados para fora
- Queixo encostado na mama
- Bebê abocanhando parte da aréola, não apenas o mamilo
- Barriga do bebê voltada para a barriga da mãe
✔ Cuidados com a pele:
- Evite lavar os mamilos com sabonete (remove a proteção natural)
- Após a mamada, espalhe algumas gotas do próprio leite no local
- Deixe os mamilos secarem naturalmente
- Use sutiã confortável, sem compressão excessiva
- Troque absorventes de seio sempre que estiverem úmidos
O que fazer se a fissura já apareceu?
O tratamento deve agir em duas frentes: corrigir a causa e cuidar da cicatrização da pele.
1. Corrigir a pega (passo mais importante)
Sem ajustar a posição do bebê, qualquer tratamento será apenas temporário.
2. Hidratar e proteger a pele
Produtos específicos para amamentação, como lanolina purificada, ajudam a restaurar a barreira cutânea e aliviar o desconforto.
3. Manter o local seco e ventilado
Conchas de amamentação (quando indicadas) podem evitar o atrito da roupa e favorecer a recuperação.
4. Ordenhar um pouco antes da mamada
Se a mama estiver muito cheia, retirar um pouco do leite facilita a pega e reduz a dor inicial.
5. Evitar soluções caseiras
Pomadas não indicadas, álcool, chás ou receitas populares podem piorar a lesão e aumentar o risco de infecção.
A amamentação deve ser interrompida?
Na maioria dos casos, não é necessário parar de amamentar.
Com orientação adequada, é possível continuar oferecendo o peito enquanto ocorre a cicatrização.
Interromper sem necessidade pode levar ao ingurgitamento mamário, redução da produção de leite e mais dificuldades na retomada.
Quando procurar ajuda profissional?
É importante buscar orientação se houver:
- Dor intensa ou persistente
- Fissuras profundas ou que não melhoram em poucos dias
- Sangramento frequente
- Sinais de infecção (vermelhidão, calor, secreção)
- Dificuldade do bebê em manter a pega
- Vontade de desistir de amamentar por causa da dor
O acompanhamento correto evita complicações e traz mais segurança para a mãe.
Informação e acolhimento fazem diferença
A fissura mamilar é um desafio comum, especialmente para mães de primeira viagem, mas não precisa ser enfrentado sozinha.
Com orientação adequada, ajustes simples e cuidados locais, a amamentação pode se tornar um momento confortável, saudável e prazeroso.
Cuidar da mãe também é parte fundamental do cuidado com o bebê.
